6.5.09

Rosas e Azuis


Escolho a dedo palavras, repouso no escuro entre tectos e reflexos de final de tarde, rosas e azuis, fusão mental, olhos fitados no horizonte possível e não só. Faço o enredo aquando do momento, o qual se torna completamente diferente. Paradoxo do amanhã. Sinto os sítios por mim passados, ambientes e pessoas, partilha e sorrisos. Sinto-me bem e, mesmo com cartas de fora, guardo as que me garantem intactas. Espero pelo despertar, escrevo coisas nos braços para não me esquecer, relembro-as já com a água que as levou, intimido-me e guio-me por vontades intocáveis de prazer seco. A importância das coisas varia demasiado, areia para cima de olhos enterrados e teimam em pestanejar. É curioso o esquizofrenismo que encontro e não questiono em tanta gente, pessoas que não sabem, não podem perceber. Ignorância e não estupidez como por vezes parece. Ingenuidade sem medos, tudo a perder. Eu não. Sei mais ou menos o que tenho e, o que não tenho, arrisco a cada mão. Sou relembrado por vezes que nem todos pensam como eu, coisa impossível de esquecer. Os dias passam-se, preservo um certo egoísmo que vai durando mais do que planeei, mais um bom exemplo... vivo desta vez seguramente, recuso não ser eu a ter o domínio nas vezes em que respiro fundo, quando faço coisas incompreensíveis para quem olha e não vê. Orgulho-me sem dúvida.

17.4.09

Low - tion


I'd rather write to you than about you... my sillyness blocks me, it kills me. As I see perfect spots surrounding you, pictures kept on the tips of my fingers, I actually fear that they're not even there. On my mind you surround everything you touch, even if it's over augmented, taken from movies. I can't despise, I leave my body behind, it's cultivated already. Marks noticed, marks I memorize, a part of mine craved on your wrist, on your tears, those which I don't think I believe... should I? Senseless above actions that you preserve even not knowing why. And why I do notice them? Since I can't realize why I do it, maybe by now you can tremble them on my face. I trick my body, my head, my expectations, which provides me a wrong glimpse about what I trully believe, I guess. I swore it wouldn't happen again. Just hate dragging my ass off for anybody. I wouldn't do that, I supposed some time ago. Who deserves it. Do you? Not even for me I do it, epidemic lotions of trust and abuse. Waves of it. I roll in them as I try to catch your heart on the shore. If I have known then what I know now... taking chances on the wrong moments. Empty pockets when I search for what I should always carry. Not regreting about what I do is my basis (...) regreting what I could have done is just weakness, and I'm so much stronger than that. I drive. Bursted wheels in flames to nowhere as the road is designed with the ticking of clocks and dry brushes. Wish I had a different "last name" sometimes... but I'm so much better than that, I wonder if you catch it, if you'll wish to walk backwards someday.







She told me she would be always thinking about me... no matter what... should I believe it? Trading your body like that, sharing another bed with that disbelieved intuition, when I crawl in my cold sheets pretending to sleep. The power I refered to her before... maybe she can realize it now. An honest mentor for self destruction. Nice. She told me she cried for me, that she missed me... wish I could taste those tears and give my idea of crying. If that is honesty I'de rather be dislexic. Wise net. Groups of lingering chills through my veins, emotional sarcasm on my soul. Pure warmth uppon ice... it melts. She doesn't believe me. She bets her life as I'm a cheap talker, as if I wouldn't leave a part of mine behind to harvest so much more after. She says she wants to see me again... the "friend" of the lost hours I guess... what can I say when I know that there's such a big lack of confidence, trust, of believing in taking risks and realizing that you live ONCE. Just once... no credits to buy, only credits to watch at the end unless you fall asleep. Buy stuff, inhale egos and magic stupidity. Don't try rewind it after to watch it again, it's not possible. Reality is a bitch sometimes. Purchase it after is nonsense. Tomorrow doesn't exist for anybody, Yesterday is your biggest friend. Tells you exactly what you don't want to hear, what you need the most, important meanings. Fear of repeating mistakes? That's a big one. Agoraphobia... staying inside for good. Those who took things for granted are the ones that miss the most. The lost breath takers. I wonder within my dreams if he really cares the way I do. You're so sure of it, too sure. Youth. I remember how many times at the age of 2 or 3 my parents told not to play with matches, I would burn myself; not to play with knives, I would cut myself; not to climb trees, I would fall... I did it anyway, I've burned myself, cutted myself, I fell so many times... and how glad I am. That's living... learning from our mistakes, taking always chances even if they went wrong before. Every person is unique and beautiful in such a deep way. I wish I would never grow older... the best part of it is occuring as I type. Why would her feel such need to move forward and miss it. I live my life, my own my love... nobody else takes my actions or decisions. They're conditioned sometimes... by myself. I hope she realizes that. Pretty blindfolds, you've got the sweetest ones yet. You know I'de be proud.

16.4.09

Ingenuidade Propositada



Leio as tuas palavras com o mesmo prazer que tenho ao escutar unhas infinitas inquebráveis que percorrem um quadro junto dos meus ouvidos, um quadro desgastado, vincado pelas tuas mãos, no qual não sinto dor tua (...) Cortam-me. Estou onde não estou, constantemente. Contradição. Sem cor na minha expressão impaciente, ciente porém, de que tudo o que imagino não tem base sequer. Demasiado platónico, até para mim... irrito-me e canso-me de me ter sempre ao lado. Sou má companhia para mim próprio. Quero reagir como mereces, como eu não mereço. Um dia irás querer atrasar todos os dias do mundo, em relógios baralhados de tão atrasados, esteja onde estiver, sejas tu quem fores nessa altura. És um quadro que eu produzi, não tens tinta própria, penso às vezes, pelo que me custa acreditar nos exageros que me dizes e nos altares nos quais me vês. "A ingenuidade é a alma da confiança".

12.4.09

Expira para que te possa Inspirar



As horas fogem-me como as mais perfeitas frases que nos esquecemos por não ter papel e caneta à mão; os pés deslocam-me em piloto automático como o caminho que tenho feito nestas passadas manhãs sem reconhecer ou aperceber por onde conduzo, dando por mim no destino final... assim me sinto (...) anseio por um sinal, mordo-me por dentro por não ter um bilhete de avião possível para já, para agora, o qual certamente levaria no bolso onde fosse necessário... encontrar esses olhos rasgados, tão teus... tão teus. Uma rádio perfeita com música para suicídas. Finjo que durmo há uma semana mas nem por isso. O sono toma-me por detalhe e os poucos, tão essenciais, permitem-me que escreva agora estas frases sem jeito, sem saber se as traduzes e saboreias. Os meus dedos tornaram-se teus, já que não os controlo, já que te arrefecem a pele e te percorrem. Levanto-me várias vezes, contemplo o exterior, o silêncio, o sonho acordado que há segundos tive, o frio que me corre os braços e o pescoço tão rápido. Tal momento rotineiro passou a sê-lo sem fazer muito por isso, sem ter muito o que poder fazer para ser mais correcto. Aperto os olhos. Evito desabafos. A Primavera floresceu em mim mudança, atitude, dormência, areia nos olhos e estradas. Não preciso de mais um espelho, recuso-me a ter uma imagem para cada dia da semana, a usar diferentes diálogos para diferentes outros. Adaptação pela aceitação. Razão sobre o coração. Acho que não consigo, mas pratico em situação apática. Vejo gente do meu dia a deitar fora o que de melhor tem, olhos vendados, gente essa que após vividos tanto anos de vida sem viver, partilha construída num castelo de cartas, um ou dois orgulhos vencedores e conclusão fraca. Um imenso espanto ao vê-lo cair com um simples sopro. Um choque para uns, a naturalidade para outros. Estupidez geral. Estudo as minhas opções, pergunto-me em voz alta se essa porta estará aberta, pelo que deixo os meus sapatos à entrada e, descalço, cruzo a água da mais perfeita costa que consigo imaginar sóbrio.

27.3.09

2, 3 Segundos



Autoplagiar-me, trincar placebos que me mantenham. Quero evitar que a terra gire, tem-me deixado tonto. Como se a psilocibina me entrasse de rajada e me raiasse o cérebro sem propósito. A forma menos usual que me dá na cabeça para descrever o que lá se tem passado. Uma nova fase aproxima-se. Entre inquietude e desmazelo prevejo à minha maneira o que está para vir, fecho os olhos e mordo os lábios, mordo as memórias que permanecem na ponta da língua e o dia de hoje oferecido que, talvez por isso, aclamado de presente (...). Penso nos presentes que tenho, faço disso a minha vida. Cego e vidrado, sentido por momentos, dias. No entanto dou uma oportunidade a qualquer um, faço questão de a receber também. Mereço. Exijo. Não acredito muito no que é dito, pouco crédito... antes o tivésse todo, era qualquer coisa incrível. Quando dou conta dos detalhes traço as minhas imagens, faz toda a diferença. Gostáva que tivéssem o nome de pormaiores, faria mais sentido para mim. Elevam toda uma personalidade, beleza, conteúdo. As palavras são somente isso e nem sequer existem suficientes. O som corre e percorre-me o corpo, arranho a melodia, mordo as letras literalmente por vezes. Necessidade.

22.3.09

A Breath And A Scream


Rough night, last night... night of excess, as drinks followed one upon other, like waves in their natural routine... the purpose was different though, less reflected, maybe because my head was too full, perhaps it was not full but just occupied, selfishly, deeply. Cigarettes flew and kicked my lungs, slow motion suicide, mind healers, stupid jokes and a rush through the spine. I felt like melting inside since the night before, a dead man walking, once again I felt it to the bone. Imminent flight booking, filled notion of respect and head thinking, a heart kept in the shade of my chest. From the beggining I just knew several things, one of them was that it wouldn't be as any other senseless spit and heat exchange, not with us, not like the preconseption of life itself... drinking milk, water, blindfolds upon an hangover of alchool, ansiety, broken wings, my huge ones... too good to be trully realized from the first start, the first kiss, the first out of time confidence. Sweetness to it's purest state, in the leaves of a flower you kept a smile, with such a glow, brightness. I saw happiness. I recognized the child in you, the embaraced reddish face for such a detail, with such importance though... I saw you needed more. The only thing I know about you and I is that I gave you a glimpse of myself, I told you what it matters to me... and you listened. What fucks me up is that I feel you got it, such an unusual thing to be done. Miles flirt with miles, they multiply. You get colder, colder, colder. Connection of freakish parts, so... perfectly. What really matters? An advance plan about a perfect life with no essence. I don't know what love is. I just guess that some feelings, those special ones, made of chills, those weird ones in the back of your neck, the breath takers, out there, that deserve to be planted, desired during growth, shared above it all. With charm comes a big responsability, it consumes you, abstracted to the fact of being in love, taking steps bigger than your legs, making awesome plans when at the moment of truth it's just different. I'll keep you with me, and I will see you in the end of an exhausting night of work, or sitting at the edge of a counter. Probably you'll cross your sight with mine on a street, somewhere, somehow... I will, someday*
"You make me feel like a girl... I'm used to have to be a woman".

18.3.09

Loucos Mudos


Desejo de morangos com chocolate, desejo de partilha e doçura, enquanto descanso o corpo no chão e inquieto a cabeça. Estranha forma de tal experiência acumulada que no ponto orbital dos relógios pára e deixa de conter nela expectativas e actos premissos permutos. O verdadeiro conhecimento acerca de nós parte do princípio de que não nos conhecemos de todo. Todas as certezas e egos entopem canos quando nos deparamos com o que nos provoca algo novo, visceral, que nos rouba o sono, nos aquece o coração e simplesmente não esperamos encontrar assim... os dedos inquietam-me, a vontade é demasiada, demente. As datas não batem certo. Desabafos loucos, bizarros e sentimentais. Palavras pouco pensadas e totalmente soltas do que impede a humanidade da felicidade máxima. Preciso-te ao te desenhar em música, ao tentar dizer-te tudo o que te digo sem treinos, demasiado expontâneo e poético para sair da forma que explode nos teus ouvidos. Fará sentido... algum? Quero-te, uma certeza.

10.3.09

Gelo Ardido



Logo vi esses estranhos espelhos da tua alma. Disseram-me adeus uma segunda vez (...) peço que seja a última... desejo tanto que haja a terceira (...) desde que pisei de novo o meu chão rotineiro, tenho-me sentido vivo, tal aproximação de demónios com que gosto de brincar, aprender... tão próximos que me fazem queimar. Sempre foi essa a minha designação própria para amar o interessante, o ponto em que tentamos tocar o Sol e mesmo sem nunca o conseguir sentimos um ardor no olhos, um avistar da esfera, um calor no peito, um rasgar de lábios. Sinto que o abracei por momentos, deixo-o aqui e aí para que o vivas quando mais desejares, de olhos fechados, de cabeça aberta. Acordo diferente. Deito-me vazio. No entanto a paz é dona e senhora, os meus braços duridos sabem onde repousar, a minha mente ingénua adiciona-me luz. Quero pernas maiores, mãos infinitas, possibilidades ridículas e crueldade, quero tempo... quero passá-lo, subjectivismo único por impulso, por desejo, poder provar a esses teus estranhos ditos que um desconhecido tem poder, tem corpo, tem mais alguma coisa brutal de certo, onde tudo o que separo e selecciono como doce o reconheço, onde a dúvida derrete numa chávena em ebulição... o intenso, o que não conheço, o que agarro com unhas e dentes, o suor novo volátil, o sangue meu.

5.3.09

Habibti


Surpresas inesperadas, toque com sabor transcendental, único... memórias doces de quem dá voltas na cama à espera desse toque, essa expontaneadade louca, lirical, todas as palavras sussurradas sem porquês, numa língua doce, a tua... sem comos, sem realizar o que pode levar a tal, quando tudo o que interessa é a vontade real que nos passa pelo corpo. Fotografias mentais despidas, realidade completa a par dos cabelos nos meus dedos, das minhas mãos nervosas e quentes que ousaram colar-te em mim. Imenso intenso, de quem soube ler uma cabeça e obter respostas derivadas de olhares... os teus... rasgados, inocentes, com tantas perguntas tremidas em silêncio. Vontade enorme de largar tudo, plano duro, longo... possível porém, um doce amargo que me revira os olhos, neste aparato utopico, palavra que fez todo o sentido como sabes. Mistura étnica, casca bela em cérebro nunca vazio. Fiz questão de criar novos tons de pele ao misturar a tua na minha. Respiro-te a cada segundo da tua voz, quero-te e sei que te tive. Intenso, demasiado... não sei, não sei nada... sei que dáva muito de mim para que fosse possível de novo. Partilho o que de melhor tenho, absorvo o que me dás, o que sentes mais teu. Chocolate.

20.2.09

Reticências


O sol tem-me dado força. Acordo com outro espírito, sinto que as coisas encarrilam por si só, sinto que não me tenho de esforçar sequer. Inteligente, original. Diferenças notadas em mim quando o recebo manejo a energia, não me importa com quem seja, uma ideia partilhada com ouvidos e telepatia. Realizar com ainda mais frequência o maravilhoso natural por exemplo, assistir às primeiras construções sublimes de quem começa a falar e a manipular com o meu sangue partilhado. As calças amarrotadas e os casacos vestidos semanas a fio fazem-me sentir mais eu, o cheiro, a minha marca deixada sem perguntas ou causas. Olho várias vezes para o meu antigo quadro de cortiça e viajo sobre o que já vivi e o que cada objecto cravado me ensinou por instantes, dias, meses (...) fotografias, cartões, postais, eventos, coisas minhas e de outros. Como mudei, como continuo o mesmo. Como ambiciono tornar a fazê-lo sempre, ainda que nunca percebam, quem prende o olhar a direito, espelhos com imagens distorcidas, portas para sempre trancadas, chaves que não cedo. Aos 23 anos quase ultrapassados penso no que será suposto fazer, penso em padrões, etiquetas. Pondero se o que é suposto tem algum significado para mim, se me fará evoluir ou somente dar-me noções de paraíso... que não é mais do que um sentimento, não se trata de encontrar-mos um sítio perfeito, mas sim sentirmo-nos perfeitos algures num sítio, algures em nós. Retenho a educação, o fascínio pelo desconhecido e o que tenho para dar.

11.2.09

Porto Seguro


Dias vividos sem porquês, um corpo que desperta e começa o dia. A água escorrida no largo dorso humano, o sol que raia e ofusca, os verdes que degustam páginas folheadas (...) o vento que me abraça. Corro as ruas da minha infância, as árvores que cresceram comigo e que, tão bem, largaram e generaram folhas e ramos, acolheram vida e respiraram cada noite. A simpatia mirada de quem passa, o olhar de quem fita, a companhia de quem não conhece e quer, o arrebatar do estudado, o derrubar do previsto, onde o dia acaba e renasce da cinza noutro sítio, noutros olhos, noutros sons trincados. A bondade de quem sente, a certeza de quem "sabia" que tal o era e não arredou e estendeu dentes. Teoria premeditada falhada do corpo que assim despertou, que receou a hipótese, que a demonstrou a seu prazer. Passos longos de mãos nos bolsos (...) carros cegos aqui e ali, símios mecanizados e gente que me faz acreditar que fazemos parte de um todo, que o todo faz parte de nós. Assim, um mero propósito, fez-me flutuar entre palavras escritas e carícias sopradas. Agora que escrevo não sinto o frio que me abraçou, mas recordo as conversas que não oiço, os olhares que ignoro e as chamas que molho ao meu estilo conciso, para por vezes apreciar o chão que calco, as folhas que estalo, as poças que piso.

4.2.09

Polaroid


Ambiente sereno de final de tarde, na companhia da chuva dura que estilhaça e então escorre no vidro frio da janela do quarto... som minimal e transcendente como os trocos soltos que trago no bolso. Passeio os dedos se tanto, nas páginas ásperas de um livro carregado que penso guardar para mais logo, já que o sabor adoçicado e espesso do café tarda e a deambulação espreita. Mais um quadro. O rapaz que abre os braços e absorve sentidos, como se desejasse possuir mais do que os dedos que uma mão conta, quando parecem transbordar de saturação amena. Troco impressões e agrados, trinco saudades de tempos gastos bem vividos e idolatrados que trago comigo, que me fazem aprender que nada sei e tenho mundo e meio para descobrir, pessoas para conhecer e abraçar. A ressaca... e muitos, muitos planos a concretizar. Ataque massivo (...) derreto e afundo-me, deixo que bata no fundo e me arraste, brinque e eleve bem alto.

29.1.09

Puzzle


Hoje escrevo porque me sinto melancólico... não chamo estado depressivo mas passivo de mais. Sinto que o mundo pára quando acordo, sinto que o relógio me olha fixo mas não da forma mais doce, mais reconfortante para a pele, não da forma como já descrevi, como adoro, a essência, quando assim desejamos que aconteça para que o momento permaneça imóvel, perfeito... e nos sintamos vivos. Diferente. Aborreço-me das pessoas do dia-a-dia, irrito-me com facilidade. Demasiada. Faço o que peço para não me arrepender... demasiado dramático para a prática corrente. Lembro-me deste início que não quero levar avante, recordo-me de pouco mais de meia dúzia de anos atrás e o que tenho sem ter, motivos de comparação sem nexo. Apenas a pele. Renovada. Detesto sentir-me parado. Nas palavras de quem o exprime na base de uma melodia nas horas egoístas, essenciais porém. O chamado Romantismo sem vestígio de paixão ou interesse. Acordo e saio, olhos fundos, expressão nua (...) preciso de espaço. Espaço. Questiono o que será uma crise de ansiedade, sem cair no cliché de quem a usa, a expressão, como pura saturação de mimo e gente sorridente. Escrevo sem pensar, simplesmente. Escrevo hoje somente para mim, desabafo, e quem assim o desejar, que perca tempo ao lê-lo e o esqueça, a não ser que pouco tenha para fazer. Apenas o escrevo e descrevo como quero. Dispenso comentários fáceis de quem espreme a inteligencia tanto, tanto, para depois cuspir um "Não fiques assim..." ou a minha favorita "Deixa lá... podia ser pior". Dá que pensar... o que alguém consegue pronunciar visto em 3ª pessoa. Palavras mágicas para reconfortar? Eu fico-me pelo abraço sincero. Isso sim. Energia pura. Hoje escrevo... lado mais negro, que enche e tem de sair, um rasto de chaga no meu corpo, frestas estaladas. Identificados com algo alguns talvez. A pele. Esforço-me para que seja da cor da máscara e, quando assim o é, adoro. Boa noite. Mais uma...

27.1.09

Onde o meu Coração está, chamei de Casa


Tarde amena. Dois dedos de conversa no café de sempre, entre chávenas vazias e risos histéricos que rodeiam o espaço cheio. Filmes inacabados e outras tantas conclusões tiradas. Um abrir de olhos e sorrisos. A brisa que sopra com pouco fôlego, os jornais lidos e relidos, os cinzeiros meios. Pedras gastas de cansar pernas. Pensamento boémio. Rolo os meus dados, apelidados como Teus por alguns, porém sem maiúscula para mim. Pinto listas de azul no meu tecto com olhos fixos e entreabertos, recordo tardes de Verão, pés frios e molhados, alma quente e aberta. Raíz. Olhos postos nas mãos, desvendo segredos com destinos bem traçados, vincos com vontade própria de quem deles dúvida. Os mundos giram e permaneço o mesmo, nas cores da cidade, nos olhos de outros tantos, neste meu chão cobiçado. Da janela bebo e saboreio as tuas cores agora artificiais e brilhantes, mágicas, carros que cruzam como simples peças do teu todo, luz que reflecte a minha cara, a minha cabeça, o frio que se faz sentir e que sabe tão bem...

24.1.09

Entre Passos


Corro fotografias de um album de outrem... dou por mim com um sorriso semi cerrado a par dos ponteiros apressados que não hesitam quando nos entretemos com algo sem redor. Reflexos vividos e apreciados várias vezes. Entre carros parados rio até à exaustão e troco impressões com o ouvinte ideal para a altura, como que escolhido a dedo e com o racicínio colado ao meu, com sons estranhos de quando em vez que me fazem rolar sobre mim e tirar memórias do fundo da caixa por entre fumo e tranquilidade. Passam-se mais uns tantos. Sei que hoje me temes mais do que nunca... falta-me descobrir o porquê. Fazes desenhos com a memória, na minha cara, no que julguei ter um dia e ficou no indeterminável "provável" sem prova, sem degustação, com o que pensas saber e nem tentas descobrir. Inconveniência? Ecos do dia. Ninguém ouve. Em tempo apagado julguei acreditar em telepatia, porém o telefone inerte na mão tirou-me daí o sentido aquando de uma deambulação à chuva... desconfortável, verdadeira. Um filme a preto e branco, um postal repensado, escolhido, de quem foi e não pretende voltar sob custódia de um ideal defendido com palavras entre dentes.

18.1.09

Cíclico



Mãos grandes... olhos espelhados de esperança deste que vos pinta e procura, os argumentos, para os esboçar com pormenor frio e grandioso... "grande o sossego de não ter de haver sossego". Se pudésse escolher as palavras que digo sem falar ficaria para sempre mudo e desperto. Informal. Não... está tudo no seu lugar mas, para quem deixa tudo desordenado e sabe exactamente encontrar o que precisa, existem demasiados cantos numa esfera achatada. Parece impossível mas seguro, invísivel (...) inquestionável porém. Recordo e anseio a mil. As experiências reconhecem-me de bom agrado. Em delírio premeditado não planeado e com premissas que me enchem e respiram sobre mim, troco as voltas e não as temo, como o mar que beija cada grão de areia seja onde for. Aquelas coisas que preciso tanto, que gosto, como quebrar os cantos do meu mundo... artista desconhecido - faixa sem título. Sedução enervante, como o cabelo que cai na frente dos olhos, como a qualidade sem quantidade, como tudo o que eu escolho e traduzo. Devaneio.

14.1.09

Janela Inc.



Uma jornada pelo imenso Universo. A nossa... o meu. Uma eternidade pelo Espaço. A minha... o nosso. A certeza de que todos nós temos algo para ensinar e uma infinidade para aprender, a crença de que quem tudo sabe nada ensina, nada vive. Ignorância cool... altiva, inerte. Traz esquecido o invisível, o importante, o que desafia os sentidos, o que os troca (...) como uma droga natural e complexa sem receita, sem processo sabido e degostado. Passagem para um lugar diferente, nivelado. Sons que me fluem pela cabeça e me fazem mexer os dedos. Desfruto dela, agarrado, sempre que nela não penso, aquece-me o peito e acorda-me o ego, deixando-o sem olhos como se quer e com asas monumentais.

12.1.09

Sabor e Cobiça



Os dias correm. Perco-me em niilismos crentes, coisa que supostamente não existe, somente em mim... aprendo a refutá-los, a torná-los lógicos, a senti-los a maioria das vezes. Os dias correm sem abrandar passo. As surpresas são poucas e a mudança de final do que passou para o corrente é fraca. Quando as há passam-me ao lado. De qualquer forma tento contornar o que dizem. Acreditar que mesmo querendo que me batam no fundo, que me tragam algo novo não esperado, que despertem em mim coisas, que me emprestem importância, não atingem o cheiro a terra molhada, o olhar vazio de um velho pensativo no jardim, um dente-de-leão no vento (...) deixando meio mundo perplexo ao desfazer-se em demasiada beleza. Pensar sobre pensar. Retribuir sem ilusão. Noites frias. Estradas desertas em paisagem com termino. Contemplo sobre um cigarro o ar que me arrefece a cara, evito que haja uma coroa que não me dê a probabilidade que merecem, que não me façam usá-la. Os sorrisos vão e ficam, os planos crescem, as portas aguardam pela própria descoberta. Começo o dia sem pensar o que deitei fora, mas sim o que encontrar ao sair. Acho que as pessoas só falam de quem traz ameaça para as suas vidas... até certo ponto falam de quem pode ter poder exposto, já o tendo de início de apresentação. Como a mais perfeita mulher, alguém que é o sonho de qualquer homem, que não querendo controlar essa imensa responsabilidade, acaba por ser controlada pelo seu domínio sedutor, segundo os pontos de vista. O interessante e o desejo cruzam-se. Quase sempre. Perspectiva. Olhar para o mesmo e vê-lo numa infinidade de significados... não existem ondas iguais numa praia.