
Escolho a dedo palavras, repouso no escuro entre tectos e reflexos de final de tarde, rosas e azuis, fusão mental, olhos fitados no horizonte possível e não só. Faço o enredo aquando do momento, o qual se torna completamente diferente. Paradoxo do amanhã. Sinto os sítios por mim passados, ambientes e pessoas, partilha e sorrisos. Sinto-me bem e, mesmo com cartas de fora, guardo as que me garantem intactas. Espero pelo despertar, escrevo coisas nos braços para não me esquecer, relembro-as já com a água que as levou, intimido-me e guio-me por vontades intocáveis de prazer seco. A importância das coisas varia demasiado, areia para cima de olhos enterrados e teimam em pestanejar. É curioso o esquizofrenismo que encontro e não questiono em tanta gente, pessoas que não sabem, não podem perceber. Ignorância e não estupidez como por vezes parece. Ingenuidade sem medos, tudo a perder. Eu não. Sei mais ou menos o que tenho e, o que não tenho, arrisco a cada mão. Sou relembrado por vezes que nem todos pensam como eu, coisa impossível de esquecer. Os dias passam-se, preservo um certo egoísmo que vai durando mais do que planeei, mais um bom exemplo... vivo desta vez seguramente, recuso não ser eu a ter o domínio nas vezes em que respiro fundo, quando faço coisas incompreensíveis para quem olha e não vê. Orgulho-me sem dúvida.



















