
Leio as tuas palavras com o mesmo prazer que tenho ao escutar unhas infinitas inquebráveis que percorrem um quadro junto dos meus ouvidos, um quadro desgastado, vincado pelas tuas mãos, no qual não sinto dor tua (...) Cortam-me. Estou onde não estou, constantemente. Contradição. Sem cor na minha expressão impaciente, ciente porém, de que tudo o que imagino não tem base sequer. Demasiado platónico, até para mim... irrito-me e canso-me de me ter sempre ao lado. Sou má companhia para mim próprio. Quero reagir como mereces, como eu não mereço. Um dia irás querer atrasar todos os dias do mundo, em relógios baralhados de tão atrasados, esteja onde estiver, sejas tu quem fores nessa altura. És um quadro que eu produzi, não tens tinta própria, penso às vezes, pelo que me custa acreditar nos exageros que me dizes e nos altares nos quais me vês. "A ingenuidade é a alma da confiança".



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