31.7.08

Traços Nossos


Agora que escrevo sinto que pouco ou nada me deveria ter permitido inspirar uma vez que fosse, sinto que nada fez sentido, sinto que se agora semi-serro os dentes preferia não os ter e ter continuado de olhos bem fechados durante mais 24horas sem pestanejar... um mau dia. Se a culpa me consome por saber que não tenho algo vagamente bate certo. Frustração. O mais que queria parece-me ser o menos próximo, mais distante, uma praia na qual dou à costa sem nunca querer sequer avistar a areia de mais. Sinto os pés afundados, sei que fiz alguém infeliz, procuro assassinar-me em pensamentos de explicação sem qualquer fundamento ou teoria (...) Escrita ridícula, demasiado deprimente, que agora flui como eu não queria saber fazê-la. Peso nos ombros, lotação de algo que nem de um lugar só carece. Exprimo-me hoje em meros minutos que me sobram nos dias esquecidos e nunca apagados. Feia forma de gritar. Egoísta. . Hoje escrevo para não encher cabeças, para que me tente compreender, algo inútil que não tenha de remediar remedeios rasgados num desviar de olhar. Discussões entre locutores fechados em quartos separados, onde a empatia é escutada quando as paredes vêm a baixo e não quandos as portas se abrem. Fraco por esperar que entre, massivo por nem sequer ousar sair.

7.7.08

Caixa de Vícios


Um dia disseram-me algo do género... "gostáva de ser como tu". Os sentidos vencem as letras coladas e se por um lado fiquei lisonjeado pela sinceridade espelhada nos olhos desse alguém e pelo peso que este desejo possui apenas nas letras e no orgulho demonstrado por mim, por outro achei que a afirmação retinha um cabimento ridículo, premíscuo, ingénuo (...) Note-se que não desdenho o elogio intencional que ouvi ao ler o pedaço de árvore industrializada. No entanto julgo que o que me quiseram realmente segredar na realidade mais crua e sincera foi algo como "gostáva de conseguir ser eu" ou "gostáva de controlar os meus sonhos" ou ainda (a minha favorita) "gostáva que me pegássem ao colo". O que nos leva a não seguir um sonho, sem falar na grande fatia material óbvia, é essencialmente o pormenor sem qualquer relevância que nos define de uma maneira fácil, rápida, carente... a resposta mais rápida e aquela que nos permite vegetar durante mais uns tempos na nossa casa, no nosso canto social, nos quadros ambulantes diários, nos quais um simples botão decide dias idiotas sem ideias, nos quais gastamos saliva com ou sem prólogos estudados, básicos, viciantes (...) A meu ver é nestes PEQUENOS hábitos que reside o desvio ao procurado sentido para a vida que, duvido violentamente que esteja num meio que conhecemos e que nos consome por nos conhecer ainda melhor... demasiado. Todos os presentes são memórias. São raras as memórias que estão presentes. Jogos de palavras que nos fazem perder sempre que não escondemos cartas na manga (...) desejos e perguntas, procuras e respostas. Sou capaz de jurar que o que leva a um desejo de ser outro alguém é simplesmente não percepcionarmos o que vemos. Quando conseguimos ver o reflexo de passos que não damos por simples fobias de pisar o desconhecido, torna-se fácil desejar ser esse alguém que na verdade não queremos ao máximo ser por nós. Relógios parados.