29.1.09

Puzzle


Hoje escrevo porque me sinto melancólico... não chamo estado depressivo mas passivo de mais. Sinto que o mundo pára quando acordo, sinto que o relógio me olha fixo mas não da forma mais doce, mais reconfortante para a pele, não da forma como já descrevi, como adoro, a essência, quando assim desejamos que aconteça para que o momento permaneça imóvel, perfeito... e nos sintamos vivos. Diferente. Aborreço-me das pessoas do dia-a-dia, irrito-me com facilidade. Demasiada. Faço o que peço para não me arrepender... demasiado dramático para a prática corrente. Lembro-me deste início que não quero levar avante, recordo-me de pouco mais de meia dúzia de anos atrás e o que tenho sem ter, motivos de comparação sem nexo. Apenas a pele. Renovada. Detesto sentir-me parado. Nas palavras de quem o exprime na base de uma melodia nas horas egoístas, essenciais porém. O chamado Romantismo sem vestígio de paixão ou interesse. Acordo e saio, olhos fundos, expressão nua (...) preciso de espaço. Espaço. Questiono o que será uma crise de ansiedade, sem cair no cliché de quem a usa, a expressão, como pura saturação de mimo e gente sorridente. Escrevo sem pensar, simplesmente. Escrevo hoje somente para mim, desabafo, e quem assim o desejar, que perca tempo ao lê-lo e o esqueça, a não ser que pouco tenha para fazer. Apenas o escrevo e descrevo como quero. Dispenso comentários fáceis de quem espreme a inteligencia tanto, tanto, para depois cuspir um "Não fiques assim..." ou a minha favorita "Deixa lá... podia ser pior". Dá que pensar... o que alguém consegue pronunciar visto em 3ª pessoa. Palavras mágicas para reconfortar? Eu fico-me pelo abraço sincero. Isso sim. Energia pura. Hoje escrevo... lado mais negro, que enche e tem de sair, um rasto de chaga no meu corpo, frestas estaladas. Identificados com algo alguns talvez. A pele. Esforço-me para que seja da cor da máscara e, quando assim o é, adoro. Boa noite. Mais uma...

27.1.09

Onde o meu Coração está, chamei de Casa


Tarde amena. Dois dedos de conversa no café de sempre, entre chávenas vazias e risos histéricos que rodeiam o espaço cheio. Filmes inacabados e outras tantas conclusões tiradas. Um abrir de olhos e sorrisos. A brisa que sopra com pouco fôlego, os jornais lidos e relidos, os cinzeiros meios. Pedras gastas de cansar pernas. Pensamento boémio. Rolo os meus dados, apelidados como Teus por alguns, porém sem maiúscula para mim. Pinto listas de azul no meu tecto com olhos fixos e entreabertos, recordo tardes de Verão, pés frios e molhados, alma quente e aberta. Raíz. Olhos postos nas mãos, desvendo segredos com destinos bem traçados, vincos com vontade própria de quem deles dúvida. Os mundos giram e permaneço o mesmo, nas cores da cidade, nos olhos de outros tantos, neste meu chão cobiçado. Da janela bebo e saboreio as tuas cores agora artificiais e brilhantes, mágicas, carros que cruzam como simples peças do teu todo, luz que reflecte a minha cara, a minha cabeça, o frio que se faz sentir e que sabe tão bem...

24.1.09

Entre Passos


Corro fotografias de um album de outrem... dou por mim com um sorriso semi cerrado a par dos ponteiros apressados que não hesitam quando nos entretemos com algo sem redor. Reflexos vividos e apreciados várias vezes. Entre carros parados rio até à exaustão e troco impressões com o ouvinte ideal para a altura, como que escolhido a dedo e com o racicínio colado ao meu, com sons estranhos de quando em vez que me fazem rolar sobre mim e tirar memórias do fundo da caixa por entre fumo e tranquilidade. Passam-se mais uns tantos. Sei que hoje me temes mais do que nunca... falta-me descobrir o porquê. Fazes desenhos com a memória, na minha cara, no que julguei ter um dia e ficou no indeterminável "provável" sem prova, sem degustação, com o que pensas saber e nem tentas descobrir. Inconveniência? Ecos do dia. Ninguém ouve. Em tempo apagado julguei acreditar em telepatia, porém o telefone inerte na mão tirou-me daí o sentido aquando de uma deambulação à chuva... desconfortável, verdadeira. Um filme a preto e branco, um postal repensado, escolhido, de quem foi e não pretende voltar sob custódia de um ideal defendido com palavras entre dentes.

18.1.09

Cíclico



Mãos grandes... olhos espelhados de esperança deste que vos pinta e procura, os argumentos, para os esboçar com pormenor frio e grandioso... "grande o sossego de não ter de haver sossego". Se pudésse escolher as palavras que digo sem falar ficaria para sempre mudo e desperto. Informal. Não... está tudo no seu lugar mas, para quem deixa tudo desordenado e sabe exactamente encontrar o que precisa, existem demasiados cantos numa esfera achatada. Parece impossível mas seguro, invísivel (...) inquestionável porém. Recordo e anseio a mil. As experiências reconhecem-me de bom agrado. Em delírio premeditado não planeado e com premissas que me enchem e respiram sobre mim, troco as voltas e não as temo, como o mar que beija cada grão de areia seja onde for. Aquelas coisas que preciso tanto, que gosto, como quebrar os cantos do meu mundo... artista desconhecido - faixa sem título. Sedução enervante, como o cabelo que cai na frente dos olhos, como a qualidade sem quantidade, como tudo o que eu escolho e traduzo. Devaneio.

14.1.09

Janela Inc.



Uma jornada pelo imenso Universo. A nossa... o meu. Uma eternidade pelo Espaço. A minha... o nosso. A certeza de que todos nós temos algo para ensinar e uma infinidade para aprender, a crença de que quem tudo sabe nada ensina, nada vive. Ignorância cool... altiva, inerte. Traz esquecido o invisível, o importante, o que desafia os sentidos, o que os troca (...) como uma droga natural e complexa sem receita, sem processo sabido e degostado. Passagem para um lugar diferente, nivelado. Sons que me fluem pela cabeça e me fazem mexer os dedos. Desfruto dela, agarrado, sempre que nela não penso, aquece-me o peito e acorda-me o ego, deixando-o sem olhos como se quer e com asas monumentais.

12.1.09

Sabor e Cobiça



Os dias correm. Perco-me em niilismos crentes, coisa que supostamente não existe, somente em mim... aprendo a refutá-los, a torná-los lógicos, a senti-los a maioria das vezes. Os dias correm sem abrandar passo. As surpresas são poucas e a mudança de final do que passou para o corrente é fraca. Quando as há passam-me ao lado. De qualquer forma tento contornar o que dizem. Acreditar que mesmo querendo que me batam no fundo, que me tragam algo novo não esperado, que despertem em mim coisas, que me emprestem importância, não atingem o cheiro a terra molhada, o olhar vazio de um velho pensativo no jardim, um dente-de-leão no vento (...) deixando meio mundo perplexo ao desfazer-se em demasiada beleza. Pensar sobre pensar. Retribuir sem ilusão. Noites frias. Estradas desertas em paisagem com termino. Contemplo sobre um cigarro o ar que me arrefece a cara, evito que haja uma coroa que não me dê a probabilidade que merecem, que não me façam usá-la. Os sorrisos vão e ficam, os planos crescem, as portas aguardam pela própria descoberta. Começo o dia sem pensar o que deitei fora, mas sim o que encontrar ao sair. Acho que as pessoas só falam de quem traz ameaça para as suas vidas... até certo ponto falam de quem pode ter poder exposto, já o tendo de início de apresentação. Como a mais perfeita mulher, alguém que é o sonho de qualquer homem, que não querendo controlar essa imensa responsabilidade, acaba por ser controlada pelo seu domínio sedutor, segundo os pontos de vista. O interessante e o desejo cruzam-se. Quase sempre. Perspectiva. Olhar para o mesmo e vê-lo numa infinidade de significados... não existem ondas iguais numa praia.