12.1.09

Sabor e Cobiça



Os dias correm. Perco-me em niilismos crentes, coisa que supostamente não existe, somente em mim... aprendo a refutá-los, a torná-los lógicos, a senti-los a maioria das vezes. Os dias correm sem abrandar passo. As surpresas são poucas e a mudança de final do que passou para o corrente é fraca. Quando as há passam-me ao lado. De qualquer forma tento contornar o que dizem. Acreditar que mesmo querendo que me batam no fundo, que me tragam algo novo não esperado, que despertem em mim coisas, que me emprestem importância, não atingem o cheiro a terra molhada, o olhar vazio de um velho pensativo no jardim, um dente-de-leão no vento (...) deixando meio mundo perplexo ao desfazer-se em demasiada beleza. Pensar sobre pensar. Retribuir sem ilusão. Noites frias. Estradas desertas em paisagem com termino. Contemplo sobre um cigarro o ar que me arrefece a cara, evito que haja uma coroa que não me dê a probabilidade que merecem, que não me façam usá-la. Os sorrisos vão e ficam, os planos crescem, as portas aguardam pela própria descoberta. Começo o dia sem pensar o que deitei fora, mas sim o que encontrar ao sair. Acho que as pessoas só falam de quem traz ameaça para as suas vidas... até certo ponto falam de quem pode ter poder exposto, já o tendo de início de apresentação. Como a mais perfeita mulher, alguém que é o sonho de qualquer homem, que não querendo controlar essa imensa responsabilidade, acaba por ser controlada pelo seu domínio sedutor, segundo os pontos de vista. O interessante e o desejo cruzam-se. Quase sempre. Perspectiva. Olhar para o mesmo e vê-lo numa infinidade de significados... não existem ondas iguais numa praia.

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