26.12.08

O2



Sons de acordes pensados num improviso esticado. Tons que se fundem num final de tarde grosseiro, altruísta e inteligente (...) palavras engasgadas, como se soubessemos exactamente o quê, mas ficásse para sempre na ponta da língua, no fundo dos olhos, quando consulto listas e listas e a memória falha em todos, mas nunca em detalhes. Individualismo e curiosidade, unicidade e fome. É no detalhe que temos a essência, o marcante, o que nos deixa de boca aberta de espanto contemplado ou num aceno de cabeça cru. Conforto, tranquilidade... é nas massas de conhecidos que exprimimos os nossos tectos, é na solidão que criamos um chão essencial no nosso eterno imenso. Desconfio de quem pensa que sabe tudo. Crédito vazio. Uma "simples" criança com 2 ou 3 passos e um olhar sorridente deita-nos por terra totalmente abrasados num mundo onde não tenho nada certo, algo convicto. Momentos estáticos que me deixam acelerado à esquerda. Lisonjeado com lições dadas. Quem recusa sê-lo volta sempre por procurá-lo uma quinta vez. Levanto os braços em V. Erguidos, verão o que mais amo, o que respiro.

11.12.08

Cães Perdidos



Gostáva de perceber umas coisas, que me fossem bem explicadas ou que pelo menos me dessem uma referência bruta para desenbrulhar a meu bom agrado. Quando por vezes nos encontramos perdidos nos tantos mistérios e razões questionadas para o derradeiro sentido ou em paradoxos, seria interessante encontrar duas cabeças a produzir algo da mesma maneira, à sua maneira. Se se torna impossível descobrir tal ocasião, fácil será afirmar que sejam quais forem os caminhos a seguir por tais indivíduos doidos, o percurso tende a passos largos sem grande evolução para a eterna estupidez humana. Bom exemplo este, de quem perdeu minutos a ler o que foi escrito e pensado sobre tal. O facto de não ganharmos tempo e vivermos memórias, às quais chamámos de Presente, leva algumas pessoas a não se contentarem somente com o que se vive enquanto o sol passeia. Confidentes de nós, confiantes da mensagem como sempre. Uma fotografia numa parede, um texto escrito num guardanapo, um beijo na testa (...). Presentes, memórias pontuais. Limpo a imagem de quem um dia guardou armas por nunca delas precisar, perco-me em letras que não dizem o que tento. Em mim encontro tudo o que preciso.