
Há quem diga que "o tempo tudo cura". Curiosa esta palavra... tempo. Tem muito que se lhe diga. Por vezes escaceia, outras vezes parece não ter fim; uma 4ª dimensão idealizada que nos controla a cada minuto das nossas vidas. É algo que chegamos a perder mesmo sem o ter, algo que não voltamos a encontrar quando por ele já passámos. Uma dependência constante. Quem nunca desejou ter o poder de o parar naquele preciso instante? Momentos em que desejamos permanecer imóveis, sentimentais e vivos, como um grito de liberdade que fica apagado no profundo desconhecido e nos dá algum sentido. Temos uma possibilidade inconsciente de o percorrer de modo a usufruirmos de sensações. Viver sem limites talvez seja o que muitos ambicionam e outros não o consigam fazer. O tempo não cura nada. Curamo-nos nós próprios. Outras vezes simplesmente esquecemo-nos. Não é mais do que uma grande sala onde possuímos um espelho. Na qual entramos sozinhos, deixamos a porta entreaberta e vamos conhecendo o nosso velho amigo... basta olhar para ele... Nós.


