27.1.09

Onde o meu Coração está, chamei de Casa


Tarde amena. Dois dedos de conversa no café de sempre, entre chávenas vazias e risos histéricos que rodeiam o espaço cheio. Filmes inacabados e outras tantas conclusões tiradas. Um abrir de olhos e sorrisos. A brisa que sopra com pouco fôlego, os jornais lidos e relidos, os cinzeiros meios. Pedras gastas de cansar pernas. Pensamento boémio. Rolo os meus dados, apelidados como Teus por alguns, porém sem maiúscula para mim. Pinto listas de azul no meu tecto com olhos fixos e entreabertos, recordo tardes de Verão, pés frios e molhados, alma quente e aberta. Raíz. Olhos postos nas mãos, desvendo segredos com destinos bem traçados, vincos com vontade própria de quem deles dúvida. Os mundos giram e permaneço o mesmo, nas cores da cidade, nos olhos de outros tantos, neste meu chão cobiçado. Da janela bebo e saboreio as tuas cores agora artificiais e brilhantes, mágicas, carros que cruzam como simples peças do teu todo, luz que reflecte a minha cara, a minha cabeça, o frio que se faz sentir e que sabe tão bem...

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