11.2.09

Porto Seguro


Dias vividos sem porquês, um corpo que desperta e começa o dia. A água escorrida no largo dorso humano, o sol que raia e ofusca, os verdes que degustam páginas folheadas (...) o vento que me abraça. Corro as ruas da minha infância, as árvores que cresceram comigo e que, tão bem, largaram e generaram folhas e ramos, acolheram vida e respiraram cada noite. A simpatia mirada de quem passa, o olhar de quem fita, a companhia de quem não conhece e quer, o arrebatar do estudado, o derrubar do previsto, onde o dia acaba e renasce da cinza noutro sítio, noutros olhos, noutros sons trincados. A bondade de quem sente, a certeza de quem "sabia" que tal o era e não arredou e estendeu dentes. Teoria premeditada falhada do corpo que assim despertou, que receou a hipótese, que a demonstrou a seu prazer. Passos longos de mãos nos bolsos (...) carros cegos aqui e ali, símios mecanizados e gente que me faz acreditar que fazemos parte de um todo, que o todo faz parte de nós. Assim, um mero propósito, fez-me flutuar entre palavras escritas e carícias sopradas. Agora que escrevo não sinto o frio que me abraçou, mas recordo as conversas que não oiço, os olhares que ignoro e as chamas que molho ao meu estilo conciso, para por vezes apreciar o chão que calco, as folhas que estalo, as poças que piso.

No comments: