20.2.09

Reticências


O sol tem-me dado força. Acordo com outro espírito, sinto que as coisas encarrilam por si só, sinto que não me tenho de esforçar sequer. Inteligente, original. Diferenças notadas em mim quando o recebo manejo a energia, não me importa com quem seja, uma ideia partilhada com ouvidos e telepatia. Realizar com ainda mais frequência o maravilhoso natural por exemplo, assistir às primeiras construções sublimes de quem começa a falar e a manipular com o meu sangue partilhado. As calças amarrotadas e os casacos vestidos semanas a fio fazem-me sentir mais eu, o cheiro, a minha marca deixada sem perguntas ou causas. Olho várias vezes para o meu antigo quadro de cortiça e viajo sobre o que já vivi e o que cada objecto cravado me ensinou por instantes, dias, meses (...) fotografias, cartões, postais, eventos, coisas minhas e de outros. Como mudei, como continuo o mesmo. Como ambiciono tornar a fazê-lo sempre, ainda que nunca percebam, quem prende o olhar a direito, espelhos com imagens distorcidas, portas para sempre trancadas, chaves que não cedo. Aos 23 anos quase ultrapassados penso no que será suposto fazer, penso em padrões, etiquetas. Pondero se o que é suposto tem algum significado para mim, se me fará evoluir ou somente dar-me noções de paraíso... que não é mais do que um sentimento, não se trata de encontrar-mos um sítio perfeito, mas sim sentirmo-nos perfeitos algures num sítio, algures em nós. Retenho a educação, o fascínio pelo desconhecido e o que tenho para dar.

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