7.7.08

Caixa de Vícios


Um dia disseram-me algo do género... "gostáva de ser como tu". Os sentidos vencem as letras coladas e se por um lado fiquei lisonjeado pela sinceridade espelhada nos olhos desse alguém e pelo peso que este desejo possui apenas nas letras e no orgulho demonstrado por mim, por outro achei que a afirmação retinha um cabimento ridículo, premíscuo, ingénuo (...) Note-se que não desdenho o elogio intencional que ouvi ao ler o pedaço de árvore industrializada. No entanto julgo que o que me quiseram realmente segredar na realidade mais crua e sincera foi algo como "gostáva de conseguir ser eu" ou "gostáva de controlar os meus sonhos" ou ainda (a minha favorita) "gostáva que me pegássem ao colo". O que nos leva a não seguir um sonho, sem falar na grande fatia material óbvia, é essencialmente o pormenor sem qualquer relevância que nos define de uma maneira fácil, rápida, carente... a resposta mais rápida e aquela que nos permite vegetar durante mais uns tempos na nossa casa, no nosso canto social, nos quadros ambulantes diários, nos quais um simples botão decide dias idiotas sem ideias, nos quais gastamos saliva com ou sem prólogos estudados, básicos, viciantes (...) A meu ver é nestes PEQUENOS hábitos que reside o desvio ao procurado sentido para a vida que, duvido violentamente que esteja num meio que conhecemos e que nos consome por nos conhecer ainda melhor... demasiado. Todos os presentes são memórias. São raras as memórias que estão presentes. Jogos de palavras que nos fazem perder sempre que não escondemos cartas na manga (...) desejos e perguntas, procuras e respostas. Sou capaz de jurar que o que leva a um desejo de ser outro alguém é simplesmente não percepcionarmos o que vemos. Quando conseguimos ver o reflexo de passos que não damos por simples fobias de pisar o desconhecido, torna-se fácil desejar ser esse alguém que na verdade não queremos ao máximo ser por nós. Relógios parados.

1 comment:

GJFB said...

e não me saiste um poeta tu?
abr